[Patricia Augustin, 19 anos, da Indonésia, diz vasculhar a internet todo dia em busca das últimas novidades sobre a música pop coreana. Paula Lema Aguirre, aluna do ensino médio no Peru, diz que se sente mais feliz quanto canta músicas coreanas, principalmente "It Hurts", single do grupo 2NE1 sobre amor adolescente.
Nem Augustin nem Aguirre são falantes nativas de coreano, mas isso não as impediu, ao lado de quase 40 outros aspirantes a cantor de 16 países, de participar da fase final, em dezembro, do K-Pop World Festival na cidade sul-coreana de Changwon, onde cantaram a plenos pulmões letras em coreano na frente de um público que gritava e lotava um estádio.
"O K-pop é um bom quebra-gelo para estrangeiros", disse Tara Louise, 19 anos, cantora de Los Angeles. "Você ganha muita afinidade pelos coreanos e pela cultura coreana."
Para os sul-coreanos, o festival, o primeiro do tipo, foi uma confirmação da amplitude com que o mais recente produto de exportação se espalhou, primeiro na Ásia e, mais recentemente, na Europa, Oriente Médio e pelo continente americano, principalmente por causa do amplo uso das mídias sociais.
O K-pop faz parte de uma tendência maior conhecida como Korean Wave (onda coreana) e chamada "hallyu" em coreano. Os taiwaneses estiveram entre os primeiros a notar a invasão das novelas coreanas na programação da televisão no fim dos anos 90 e batizaram o fenômeno. Até então, o termo era empregado para designar o vento frio que sopra da península coreana.
A Korean Wave conquistou a Ásia faz tempo, mas antes da proliferação das redes sociais globais, as tentativas dos astros do K-pop entrar nos mercados ocidentais, incluindo os Estados Unidos, fracassaram na maioria das vezes.para conferir o artigo completo, clique aqui!
Porém, agora o YouTube, Facebook e Twitter facilitaram as coisas para as bandas de K-pop entrarem em contato com um público mais amplo no Ocidente, e esses fãs estão usando as mesmas ferramentas das redes sociais para proclamar sua devoção.
Quando bandas como 2NE1, Super Junior e SHINee se apresentam na Europa e nos Estados Unidos, os ingressos se esgotam em questão de minutos. E os fãs usaram o Facebook e o Twitter para organizar "flash mobs" exigindo mais shows, como se viu em Paris, em maio.
O estilo das bandas de K-pop é uma fusão de música sintetizada, videoarte, roupas da moda, sexualidade provocadora e inocência pura.
Músicas do K-pop como "Roly Poly", de T-ara, "Nobody", de Wonder Girls, e "Sorry Sorry" de Super Junior têm coros repetitivos, muitas vezes entremeados com palavras em inglês e danças sincronizadas que se tornaram uma febre tão grande na Ásia que crianças em salas de aula, soldados em alojamentos e prisioneiros imitam os passos.
O sucesso nascente do K-pop no Ocidente se vale das lições que a indústria musical coreana aprendeu no mercado natal.
A Coreia do Sul é um dos países mais conectados do mundo e a pirataria musical devastou o cenário musical - a venda de CDs caiu 70,7 por centro entre 2000 e 2007, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica.
O mercado musical coreano se refez ao se concentrar mais na distribuição digital e nas turnês. À medida que o uso das redes sociais se espalhou globalmente nos últimos anos, as bandas do K-pop começaram a se disseminar no Ocidente.
Nem todos estão convencidos de que o K-pop tenha capacidade de resistência nos EUA. As participações no programa de Letterman e a parada do gênero na Billboard têm "pouquíssimo significado aqui", disse Morgan Carey, consultor musical de Los Angeles que trabalha com selos pop coreanos desde 2007.
"Contratar produtores norte-americanos reciclados e convidados especiais muito depois que sua relevância no mercado acabou" manterá o K-pop relegado a um nicho de mercado, assegurou. "A atitude inteligente seria trazer um grande talento sem marcas na Ásia e desenvolvê-lo aqui."
Todavia, atitudes inteligentes na carreira, mídias sociais e marketing não bastam - o trabalho árduo à moda antiga e o talento ainda são importantes. As agências de "gerenciamento de estrelas" da Coreia do Sul selecionam e treinam adolescentes que desejam ser cantores, muitas vezes abrigando-os juntos.
Com o mercado internacional em mente, as agências exigem que os estagiários apreendam um idioma estrangeiro e contratam compositores e estilistas de fora.
"É uma manufatura com planejamento minucioso", disse Lee Hark-joon, diretor da equipe de multimídia do jornal sul-coreano "Chosun Ilbo", que acompanhou a banda feminina Nine Muses durante um ano para filmar um documentário sobre a criação de um grupo de K-pop. "Elas treinam como androides, sendo proibidas de namorar durante o período de estágio."
Se por um lado o K-pop estimula os sonhos de jovens sul-coreanas, por outro realiza o desejo da Coreia do Sul enquanto nação.
Uma usina de força das exportações globais, o país sempre se irritou pela falta de exportações culturais que fizessem o resto do mundo saber que ele era mais do que um fabricante de carros da Hyundai e celulares da Samsung.
Segundo Andrew Kang, diretor de arte e gravação da Star Empire, "o K-pop se tornou o conteúdo fenomenal da Coreia".]
Créditos: The New York Times News Service/Syndicate

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